Por mais dias da dança assim….

O dia 29 de abril é bastante significativo pois é dia internacional da dança. Sempre mencionei que essa data deve ter um caráter festivo, mas especialmente é necessário também atentar para questões políticas na e para dança. Sendo assim, encerrar o 1º Congresso de Dança de Salão Contemporânea, nessa data, para mim é bastante significativo. Acima de tudo esse espaço foi potência, elaboração de uma rede de disseminadores de abordagens contemporâneas na dança de salão. Pessoas que estão dentro das diversas áreas que englobam a dança de salão como o espaço de sala de aula, artístico ou social e que vem ao longo de suas pesquisas problematizando suas abordagens. Buscando realizar suas propostas à margem do que está pré-estabelecido, tendo a preocupação de desconstruir comportamentos machistas, abusivos, cis-heteronormativos. Tendo como demanda a construção de espaços de acolhimento, escuta, sensibilidade e mais horizontalizados.

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O domingo então começou com a oficina da Companhia Dois Rumos (SP), no qual há uma busca de preparar um corpo capaz de se relacionar com outro de uma forma menos impositiva. Nesse sentido esse coletivo propõem a construção desse pré-corpo através de dinâmicas de sensibilização, de consciência da estrutura óssea, da mobilidade das articulações, entre outras coisas, as quais passam por um processo de percepção do próprio corpo. Embora, o que eu considere mais significativo seja o fato de que através dessa proposta podemos experimentar outras formas de tocar o outro corpo, com tônus, mas sem ser impositivo. Isso passa a ser fundamental para o dançar a dois.

Na sequência rolou a oficina da Débora Pazetto e o Samuel Samways que apresentaram a proposta de condução mútua. Sendo assim, nesse caso não haveria alguém responsável por dar a indicação inicial para a improvisação, nenhum dos componentes da dupla possui esse lugar de indicar o estímulo inicial. A busca se dá por uma perda conjunta que gera o movimento, é no entre os corpos que os agenciamentos vão ocorrendo. A proposta dessa oficina foi justamente trabalhar com essa construção de um corpo expandido capaz de estar sempre em relação ao outro e ao espaço. E ainda buscar princípios de movimentos de deslocamentos de perna a partir desse contato com o corpo expandido.

Durante esse dia, houve a palestra do BeHoppers coletivo de pessoas que movimentam a cena Lindy Hop em Belo Horizonte. A Camila Magalhães e Fabrício Martins apresentaram alguns princípios que apontam porque essa dança a dois sempre possui uma fluidez maior no aspecto da condução e na constituição do par. Para ilustrar os mesmos trouxerem exemplos de vídeos antigos onde homens dançam com homens e mulheres com outras mulheres, sem a necessidade de estereotipar os movimentos. Além disso, o grupo organizou uma campanha intitulada 30 atitudes não machistas na dança de salão, a qual reverberou pelo mundo todo.

Para finalizar as atividades, além do baile que a meu ver se tornou espaço de concretização de todos os debates e oficinas que foram realizados durante o evento, houve uma mesa redonda com as professoras do evento. A temática da mesa tinha como foco os novos rumos da dança de salão. Houve discussões à respeito da necessidade de elaboração de um termo guarda-chuva que comporte todas essas abordagens que possuem ideais comuns, mas que em sua prática e processo de construção acabam se diferindo. Foi trazido pelo público a ausência de representatividade de alguma mulher negra nesse espaço de fala, sendo que todos nós concordamos a importância de possibilitar que esse espaço seja compartilhado e realmente plural. Sendo assim, também foi levantado que todos ali presentes são responsáveis por disseminarem a importância do que estamos discutindo nesse evento, levando para os seus grupos e cidades um pouco do que rolou no evento.

Gostaria de finalizar esses relatos rápidos, salientando a importância desse encontro ter acontecido, no formato o qual ele foi idealizado. O evento contemplou além de uma grade de aulas ministrada majoritariamente por mulheres professoras independentes, algo que não é uma prática comum nesse espaço. Houve ainda uma preocupação de dar conta das questões de representatividade do público LGBTQI+  nos espetáculos apresentados, nas propostas queer de ensinar dança de salão. E por último houve ainda os espaços de discussão os quais trouxerem aspectos teóricos para fundamentar esse movimento e as práticas experimentadas.

Só digo que é fundamental o momento em que vivemos para passarmos a questionar que dança estamos fazendo e dançando. Obrigada a todxs que acompanharam as oficinas, obrigada as pessoas lindas que dançaram comigo nos bailes e tronaram a minha experiência em BH enriquecedora. Somos rede de afetos e potências dançantes. Não há queda, não a chão, não há o outro que possa dizer o que podemos fazer. Somos corpos duplos, somo múltiplos, mas acima de tudo somos fortes e não temos medo de criticar e questionar o que aparentemente está dado.

Obs: amores peço desculpas porque as fotos ficaram um pouco prejudicadas desse dia, mas assim que conseguir já adiciono aqui. 😉

Movendo estruturas através do dançar

Acabou de chegar do baile de dança de salão contemporânea, espaço lindo onde podemos experimentar apenas ser e dançar sem medo de se expressar. Espaço criativo onde as danças passam a ser resistências e onde conseguimos visualizar a concretude de uma dança de salão que seja plural e diversa. Uma dança de salão sem hierárquicas, que escapa a todo tempo para uma forma de existir fluída. Acho que acima de tudo esse encontro tem sido de afetos e força, estamos nos conhecendo, criando os vínculos e nos fortalecendo enquanto grupo de pessoas que são responsáveis por uma mudança significativa que está por vir na dança de salão. Somos todos disseminadores de ideias, pensamentos, e especialmente corpos dançantes dispostos a experimentação. Houve um espaço de compartilhamento de referencial entre os participantes no saguão do teatro, isso mostra o quanto há pessoas interessadas em aprofundar suas pesquisas e trabalhos por aí.

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Houve palestra da incrível Débora Pazetto, a qual foi uma aula sobre feminismo, ideologia de gênero, história da dança de salão. Especialmente levantou um pouco bastante relevante no sentido de que essa mudança na dana de salão ela é urgente e necessária, afinal ainda estamos reproduzindo aspectos de séculos passados. Durante a palestra foi interessante perceber como cada vez mais há jovens pesquisadores querendo estudar essa área academicamente. Na oficina da Laura James e da Marina Coura de Dança de Salão Queer, é possível perceber que a mudança pode ser sutil. Ambas trouxerem exemplos de como o trabalho da Ata-me vem sendo abordado nas aulas. Uma pequena mudança no discurso do professorxs, na maneira como nos relacionamos com os corpos dos alunos, nas músicas que escolhemos para utilizar em sala de aula, tudo isso possibilita já um outro espaço de praticar e ensinar essa dança.

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Houve ainda a oficina de compartilhamento do processo de criação dos meninos do Casa 4, onde podemos experimentar no corpo como o espetáculo foi surgindo. O coletivo é composto por Alisson George, Guilherme Fraga, Jonatas Raine e Ruan Wills. Eu estou fascinada por esses meninos, que além de dançarem muito são extremante generosos. Há uma entrega do grupo ao dividir suas inquietudes, suas histórias e suas danças, ao mesmo tempo, eles conseguiram criar um espaço de dar vazão as demandas das pessoas que estavam ali presente. Obrigada pela gentileza, e espero ver muitos trabalhos cênicos desse coletivo.

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Para finalizar vou falar do espetáculo Monstra do coletivo A Margem. A proposta dos artistas é realizar uma autocrítica do universo da dança de salão. Houve sátiras e ironias constantemente, durante o espetáculo. Contudo tudo estava coeso e claro durante a proposta. Confesso que o final é inusitado, dentro dos parâmetros de espetáculos que já vi anteriormente. Todos os clichês estaõ ali, sendo suporte para a potente movimentação e cena que vão se criando.

 

Gente não dou conta mais de escrever é muito amor!!! Evento lindo, mas o sono está pegando. Desculpa se rolar algum erro aí de portuga 😉

Um lindo começo, roda gigante, testemunhos e corpos dançantes

O primeiro dia do Congresso de Dança de Salão Contemporânea, Diversidade e Gênero na Dança de Salão foi extremamente lindo. A meu ver a palavra que marca esse dia foi o testemunho, os relatos desses sujeitxs inquietados que decidiram fazer diferente. Tudo isso compartilhado em espaços de muito diálogo, com participantes incríveis e prontos para acolher todas essas iniciativas.

 

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A primeira aula foi o trabalho que venho acompanhando há mais ou menos um ano da professora Carolina Polezi. A proposta da condução compartilhada vem sido aprimorada no trabalho da Carol, e mostra a possibilidade de se pensar as danças a dois abrindo um campo de comunicação onde nenhuma das pessoas da dupla exerça um lugar de hierarquia sobre o outro. Não há apenas um condutor, ambos podem se expressar durante a dança. No começo da aula foram desenvolvidas atividades de ampliação da percepção, o que permitiu que os participantes pudessem desenvolver qualidades corporais que viabilizam o compartilhamento no momento de condução.

A segunda aula foi a minha de Tango Queer, nessa atividade optei em trabalhar com imagens (Samurai/ Gato) para desenvolver qualidades de movimento. A partir desse espaço pude trabalhar estruturas de movimento características do tango, mas tendo a possibilidade desses lugares serem invertidos. No sentido de que não é necessariamente o samurai que irá conduzir por exemplo, inclusive na aula optei por um momento em que o gato assumia a condução. A questão que permeou a minha aula era justamente tentar dar vazão as estruturas da dança tango, mas através de outros caminhos. Buscando sim em alguns momentos uma comunicação baseada pela inversão, pois eu acredito na potência que há ao podermos inverter e ocuparmos espaços que aparentemente não nos pertencem. Ao mesmo tempo, há uma tentativa constante de buscar, nem que sejam instantes, de transversão. Onde não se saiba ao certo quem está propondo, onde possamos ser gatorais, onde as qualidades fluam no dançar, e a escuta seja a base do encontro e do improviso a dois.

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Após as oficinas houve a palestra da professora Laura James, mulher trans e lésbica, que é proprietária da Ata-me escola de dança de salão. Durante a palestra foi extremamente rico ouvir como a história da vida dela foi refletindo na sua trajetória profissional e no amadurecimento de sua metodologia queer de ensino. A Laura traz para o debate percepções totalmente desconhecidas por mim, ao falar de seu lugar de fala como mulher trans atuante e ativista no movimento da dança. Além da palestra, bastante esclarecedoras sobre os termos referentes a gênero e todas as discussões que tem sido feitas no campo LGBTQ+, a Laura também promoveu o Forró Queer. O Forró Queer é um espaço regular extremante acolhedor e que contempla realmente uma diversidade incrível de pessoas. Foi um final de evento lindo, ao poder dançar com toda gentes maravilhosas. Além de ver o povo dançando de maneira fluída e descontraída, sendo aquilo que querem ser.

Contudo antes do Forró Queer rolou o espetáculo Salão do grupo Casa 4 da Bahia. Um trabalho potente, o qual traz para a cena todas as inquietudes dos homens gays nesse espaço. Através de pequenos testemunhos e coreografias, os quatro bailarinos em cena mostram de forma poética as opressões sofridas dentro desse espaço cis-heteronormativo presente na dança de salão tradicional. Contudo há também a criação de um universo de dança a dois outro, onde é permitido ser e existir para aqueles corpos, um espaço onde a dança de salão não reprime, não exclui, onde você pode exercer a sua sexualidade da maneira que lhe convém, onde o corpo pode ser o que desejar. Um espaço que emociona, pois nada mais lindo que ver corpos dançando juntos sendo atravessados pelos seus afetos e pelos seus desejos.

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Fotinho dos meninos do Casa 4

Gente é isso, muito resumido, eu sei. Eu tenho estado bastante emocionada de ver toda essa galera linda que tem participado, não só os profissionais convidados, mas todos aqueles que estão se experimentando e vivendo esse encontro comigo.

Acredito que estou começando bem as comemorações do dia dança….

Um grande salve para a dança de salão que existe a margem, que está se reconfigurando em um espaço de respeito e igualdade.

 

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As fotos são de registros da oficina de Tango Queer e a de Condução Compartilhada ministarda pela Carolina Polezi.

Construindo Outros Caminhos na Dança de Salão

Hoje venho com grande felicidade divulgar o evento que iniciará amanhã em Belo Horizonte o Primeiro Congresso de Dança de Salão Contemporânea, Gênero e Diversidade na Dança de Salão. O evento pretende reunir diversos professorxs, artistas e ativistas que tem repensando suas práticas nessa dança, e estão em constante processo de pesquisa sobre outras abordagens para ensinar-criar-praticar dança de salão.

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Todas as prospostas, dentro de suas singularidades, estão continuamente desconstruindo os padrões heteronormativos que estão presentes na dança de salão tradicional. Tendo como foco a criação de abordagens contemporâneas que comportem uma dança mais plural e diversificada. Uma prática agregadora que não imponha hierarquias.

O evento foi idealizado por Laura James e Samuel Samways, tem apoio do CEFART. A programação prevê oficinas, palestras e apresentação de espetáculos. Além dos dois bailes de dança de salão contemporânea e o Forró Queer.

O evento ainda conta com a participação das professoras Carolina Polezi (SP), Marina Coura (MG) e Débora Pazeto (MG). Além dos grupos Casa 4 (BA), Dois Rumos (SP), e BeHoppers (MG).

Eu estarei presente ministrando uma oficina de Tango Queer no dia 27.04.18 às 15h 30min às 17h no CEFART. A proposta é trazer um vivência da prática do tango a partir de uma abordagem queer, a qual venho pesquisando desde 2015.  Contudo a temática da condução sempre foi uma questão, e sua problematização foi tema do meu trabalho de conclusão em dança em 2012. Atualmente, essa temática tem sido investigada por mim no doutorado em Artes Cênicas na UNIRIO sob orientação do Prof. Dr. Charles Feitosa. Pretendo então instaurar nesse post a minha tentativa de trazer relatos das experiências que irei vivenciar nos próximos dias, um testemunho compartilhado de carne e pensamentos.  Espero poder registrar esse momento, afinal ele é de extrema importância para a dança de salão e para mim enquanto artista/professora.

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Feliz com a possibilidade de estar encontrando pares para dialogar, e juntos estarmos rescrevendo outras historiografias para a dança de salão.  Na foto acima eu e a Natália Dorneles estavamos dançando na oficina que ministrei na Semana de Diversidade de Genêro da FABICO na UFRGS em Porto Alegre. O click foi da Yamini Benites. Gosto muito dessa imagem pois representa como tenho encarado o dançar a dois na minha vida, com afeto, resistência, pluralidade, reflexão e muita dança boa!

Partiu….

Um evento onde o coração pulsa

A Batalha de Dublagem, é um evento realizado em parceria da Lolita Rouge (personagem criado por mim) com o bar Von Teese-High Tea & Cocktail Bar em Porto Alegre. O objetivo principal é criar um ambiente descontraído, onde o público possa se divertir dublando suas canções favoritas. A cada edição a Lolita Rouge, prepara alguma dublagem especial para animar a noite.

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Eu, Lolita, me sinto energizada a cada edição desse evento, pois sempre há grandes surpresas. A energia que se cria é tão intensa, que todos do bar ficam conectados. Aos poucos as mesas passam a ser integradas, e o bar inteiro começa a curtir, torcer, participar e superar a timidez. Claro, que uns bons drinks ajudam a liberar as performances que estão guardadas dentro de cada um. É lindo ver quando as pessoas conseguem se superar, e passam a se divertir pelo fato de estarem ali interpretando suas músicas favoritas. Vale apresentação individual, em dupla, trio, ou grupo só não pode ficar parado.

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A Batalha de Dublagem passou a ser um grande encontro, onde qualquer pessoa é bem-vinda. Todos brincam nesse lugar, onde não há certo ou errado, há apenas um lugar de afeto.  Você pode ser um participante experiente ou ter ido por acaso, aqui todos têm vez e podem se divertir!

Ficou curioso?

Deixo um registro da nossa última edição 🙂

 

 

Estou ansiosa para a nossa sexta edição!

Contando os dias para me divertir ao lado de vocês

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Batalha de Dublagem – apresentação Lolita Rouge

Quando: 28/07/17 às 20h

Onde: Von Teese -High Tea Coktail Bar,  Rua Bento Figueredo 32

 

Corpobolados

Esse espetáculo estreou no ano de 2015 na cidade de Porto Alegre.
Realizando duas temporadas com lotação máxima de público. Em 2016,
fez parte da programação local do 11ª Palco Giratório do SESC de Porto
Alegre. A ideia do trabalho surgiu inicialmente no projeto de vídeodança
com o mesmo nome do espetá- culo, em janeiro de 2013, e nessa versão
para o teatro expandi-se ganhando novas formas, movimentos e
relações. O espetáculo Corpobolados recebeu sete indicações ao Prêmio
Açorianos de Dança de Porto Alegre EM 2015 (Espetáculo do Ano,
Bailarina, Direção, Trilha Sonora, Iluminação, Coreograa e Destaque
Dança de Salão) tendo recebido os prêmios de Bailarina e Coreografia.

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Concepção

Reconhecer e se entregar para descobrir outro universo, Corpobolados é um desejo de encontro; é a possibilidade de se entregar para
aprender com o outro. O tango e o malabarismo surgem como pontos de partida desta investigação, na qual o diálogo é quem determina
o que acontecerá. É um espaço de relações entre corpos e objetos: os primeiros são dançantes e performáticos – embolados em clave e bolas
de malabarismo -os segundos, energias pulsantes que geram possibilidades de movimentos. Dessa potência de corpos bolados e embolados,
em um espaço percorrido de tensões, surge a possibilidade de criação de um tempo à parte – uma pausa para percebermos as relações
entre os corpos, sejam eles humanos ou não. Conversas, pausas e silêncio: todos os encontros e desencontros que uma relação pode ter.

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Ficha Técnica

Direção: Paola Vasconcelos
Intérpretes-criadores: Gabriel Martins, Giovanni Vergo e Paola Vasconcelos.
Iluminação: Mirco Zanini

Pesquisa Sonora: Paola Vasconcelos
Figurino: Antonio Rabadan
Produção:  Kyrie Isnardi

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Teaser do espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=RaHOi9TL68U

Contato: lolarte.14@gmail.com/ 051 981395519

Um roda emergente e relevante!

Enquanto estávamos discutindo no evento – protagonismo da mulher na dança de salão-pensei, porque não havíamos feito isso antes.

Estávamos todas necessitando de um espaço de compartilhamento e reflexão, onde pudéssemos trazer nossas angústias, as experiências que passamos nessa prática, as nossas questões, estávamos emergencialmente necessitadas de um espaço sensível de diálogo.  Sábado dia 19/11 às 10h da manhã cheguei na sala 400 da Usina do Gasômetro e me deparei com muitas professoras, dançarinas e praticantes ansiosas para falar sobre as suas vivências e realidades. Haviam alguns homens presentes, que souberam compreender a importância desse espaço para nós mulheres, se colocando como bons ouvintes e se disponibilizando a trocar e aprender com as nossas falas.

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As convidadas – Luciana Coronel e Caroline Wüppel– se dispuseram a compartilhar suas reflexões nesse espaço, fomentando um belo debate que foi calorosamente acolhido pelos presentes. (Queria agradecer mais uma vez as meninas que toparam esse desafio e se disponibilizaram intensamente para que esse encontro fosse um sucesso).Foram tantas demandas levantadas que não conseguimos dar conta, e com certeza uma continuidade é necessária. Afinal, a dança de salão é um reflexo da sociedade e em termos de opressão e violência temos muito ainda a refletir o quanto o sistema machista e patriarcal tem regido as nossas práticas. Precisamos ainda de um espaço profundo de estudo e compreensão dessa estrutura.

Alguns pontos foram levantados e foram reforçado em diferentes falas, especialmente dentro de dois eixos centrais que envolvem esse fazer: as questões no eixo social de prática da dança de salão como bailes e festas e alguns pontos referentes ao ensino da dança de salão. Nesse sentido, faço um esforço de registro desse material, para que possamos avançar nessas temáticas nos próximos encontros.

No primeiro eixo referente à prática social da dança de salão foram apontados alguns pontos como:

  • Nunca separe duas mulheres que estão dançando juntas, não se dê esse direito pelo fato de ser homem. Você provavelmente não faria isso se fosse um homem e uma mulher dançando. Isso é uma violência e não deve acontecer.
  • Tod@s têm o direito de não dançar, independente do motivo, isso deve ser respeitado e compreendido.
  • Mulheres e homens podem e devem convidar outros para dançar.
  • Respeite ao corpo do outro, nunca seja intolerante e grosseiro, porque alguma mulher não consegue/deseja fazer o movimento que você propôs. O limite do corpo é individual e deve ser respeitado.

No segundo eixo referente ao ensino da dança de salão foram debatidas as seguintes colocações:

  • Você pode usar a metodologia que desejar, entretanto o importante é refletir que o sistema tradicional de dança de salão e o poder do discurso reforçam sim um estereótipo de homem e de mulher.
  • Muitas das piadas “padrões” utilizadas são extremamente ofensivas e opressoras, porque reforçam esse papel.
  • Devemos enquanto professores e formadores estar sensível em nossas aulas e refletindo sobre o nosso fazer.

Por fim, trago a minha colocação que fiz na roda para esse relato: provoco você, professor de dança de salão, para pensar o quão privilegiado é pelo simples fato de ser homem. No mundo do trabalho ser homem é ganhar mais, não precisar escolher com que roupa sair na rua com medo de assédios, na dança de salão é poder ter liberdade de dançar com quem quiser, é ter o nome reconhecido e lembrado e o da suas parceira não, é ter espaço em sala de aula e não se preocupar se haverá um momento para que você possa falar. Enfim entre muitos outros exemplos que eu poderia citar.

Convido-o a refletir sobre esses pontos e pensar quantas vezes sua colocação foi opressora e sua piada toliu a sua parceria. Enfim, se você não reconhecer que suas vivências partem de um sistema patriarcal e machista, você continuará velando e mascarando as suas impressões cotidianas. No mais penso que precisamos ter cuidado em apenas se apegar ao discurso de liberdade e diversidade, porque além de palavras, são necessárias ações para que se possa hackear um sistema. Afinal, somos tão aprisionados a esse sistema que a liberdade do desejo não é permitida, talvez jamais possa passar pela cabeça do meu aluno que ele poderia ser conduzido, que uma mulher pudesse conduzir, e que ambos não seriam desqualificados por isso. Porém, desejar é proibido, não se deseja aquilo que não é visível, sem possibilidades sou fadada a desejar o que me é oferecido. Será mesmo que tenho dado espaço para os meus alunos se colocarem como desejam em sala de aula?

Reflexões e conversas que ainda precisam de tempo para maturarem, porém finalizo esse relato feliz pelo espaço e agradeço mais uma vez à todos que estiveram nessa roda. Tendo em mim uma pulsante certeza da importância de continuarmos esse debate, tendo como viés o movimento  – ou seja FAZER- sair do plano das ideias e fazer! As transformações se dão na vida material e não no plano das ideias, seja no seu espaço individual ou na atuação coletiva.

Uma foto descontraída da nossa linda manhã!

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Mulheres fortes e empoderadas- Protagonismo da mulher na dança de salão

No começo do mês fui convidada para participar do evento Mulheres e Dança, em São Paulo, organizado pelo  Resistir com Arte, a proposta era chamar pessoas engajadas em suas práticas para exporem seus trabalhos seguido de um bate-papo com os participantes do evento. A professora Carolina Polezi entrou em contato comigo por causa do meu trabalho de dança de salão queer, o qual eu tenho desenvolvido aqui em Porto Alegre. Compondo esse espaço estavam também o professor Samuel Samways responsável pelo desenvolvimento da proposta de condução mútua, a professora Rubia Frutuoso a qual tem desenvolvido um trabalho de independência da professora mulher na dança de salão, Carolina Polezi que vem discutindo a noção de condução compartilhada e Eliana Capel a qual tem um coletivo de artistas mulheres que desenvolvem suas performances sobre narrativas femininas.

Depois de sermos agraciadas (vou me dar ao direito de colocar os termos no feminino já que a maioria das participantes eram mulheres) pelas apresentações iniciamos o debate, que foi mediado pelo Gustavo Macedo do Resistir com Arte. O que quero trazer para vocês aqui hoje é que estou muito contente em saber que não estou sozinha, e que existem mais quatro pessoas que estão comprando essa bandeira e resistindo em suas práticas pela valorização da mulher no campo profissional da dança de salão. Sim querid@s, infelizmente, essa prática possui ainda uma estrutura hegemônica machista e extremamente opressiva, e há muitas mulheres que estão reproduzindo esse modelo sem nenhuma reflexão à respeito. Estar com meus colegas me fez visualizar que estamos avançando, e que maravilha estarmos em um evento podendo discutir esses aspectos – porque até então nunca vi um espaço que problematize o papel da mulher na dança de salão. Normalmente, os eventos e aulas destinados para mulheres na dança de salão acabam sempre visando a técnica feminina, a sensualidade os enfeites, enfim reforçando esse único lugar da mulher na dança. Nesse sentido, sei que há muito a ser feito, pois a realidade ainda é bastante cruel: tem muita professora e dançarina que não tem direito a falar em sala de aula, que não é mencionada nas apresentações e nas divulgações, que é oprimida pelo parceiro que diz que ela não está dentro dos padrões de corpo de uma bailarina, ou ainda que na dança apenas um pode “mandar” e sempre é o homem o condutor, enfim muitos casos poderiam ser mencionados. Entretanto, hoje, quero apenas levantar algumas inquietações pessoais à respeito desse tema.

Chega de nos sujeitarmos a esse tipo de lugar, vamos passar a valorizar as nossas colegas,  a reivindicar nossos espaços, vamos sim ser donas de academias, ser coreógrafas e professoras independentes, vamos ser protagonistas e registrar a nossa história nessa prática. Convido  vocês a pensarem comigo: quem são as parceiras de Jaime Arôxa? De Carlinho de Jesus? De fulano e de fulano de tal? Ou todos esses homens dançavam sozinhos? A dança de salão se faz a dois, mas sempre nos lembramos apenas dos homens; quem são esses nomes? Onde estão estas mulheres?

Existem inúmeras mulheres maravilhosas que andam a sombra de “mestres” da dança de salão, e nunca são mencionados. Ou ainda como podemos iniciar essa mudança no nosso fazer individual, repensando como nos colocamos em sala de aula ou durante a criação de um novo trabalho. Muitas vezes nos abstemos por não nos sentirmos capazes, em vários espaços, não só da dança de salão, as mulheres são taxadas pela cultura machista como menos capazes, justificando baixos salários ou a não ocupação de cargos maiores. Essa cultura está se modificando, pelas nossas posturas individuais nos nossos espaços de atuação, mas principalmente por um pensar e agir coletivo das mulheres.

Finalizo esse relato/manifesto/desabafo/convite satisfeita e convicta de que o lugar da mulher na dança e na sociedade é onde ela quiser estar. Te convoco professora e bailarina de dança de salão a repensar como tem sido a tua prática diária, quem sabe podemos juntas debater e problematizar muitas questões cristalizadas. Vamos ser protagonistas dessa dança!

Sobre uma noite

Sobre a noite de 15 de dezembro de 2015, ainda tentando processar tudo o que aconteceu. Desde 2012, venho acompanhando o Prêmio Açorianos de Dança e sempre de alguma forma sendo indicada em diferentes categorias pelos diversos projetos que eu estive envolvida. Em nenhuma das ocasiões os prêmios vieram e tudo bem, porque sempre acreditei em um trabalho continuado como artista, autônomo e permanente que independe do julgamento externo, por exemplo, da conquista de editais para acontecer.  Quem decide o que ganha ou não um prêmio está envolto em um emaranhado de questões e fatores durante a decisão de quem levará para casa esse pequeno troféu e que nem sempre compreenderemos ou concordaremos.

Esse ano estávamos nervosos, porque o projeto do Corpobolados sempre foi rodeado de muitas recusas (ocupações, editais, financiamentos). Todavia houve muita gana de fazer a coisa acontecer e a cada “não” recebido tínhamos mais certeza do que precisávamos fazer. Nesse sentido foi o afeto entre as pessoas que se encontraram nesse projeto que fez a ele acontecer. O próprio trabalho já diz em sua concepção que o que nos move é esse encontro e o desejo de aprender e reconhecer o outro. Sendo assim, como já mencionei diversas vezes só posso agradecer a todos que estiveram nessa equipe no início, no meio e no momento atual. Giovanni Vergo e Gabriel Martins, sim vocês acreditaram na minha ideia louca em janeiro de 2013 e se disponibilizaram a tornar real esse processo. Vocês são maravilhosos! Dois artistas que tenho a sorte de trabalhar todos os dias. Com vocês que eu entendo o que é a palavra parceria e toda a dimensão que isso abrange. Minha equipe maravilhosa Mirco Zanini, Iassanã Martins, Fernanda Bertoncello, Ana Carolina Klacewicz, Kyrie Isnardi vocês pegaram junto sem saber no que iria dar, vocês acreditaram na gente. Vocês fizeram a coisa acontecer. Um agradecimento especial ao apoio do generoso Alesandro Rivellino durante o processo de construção do espetáculo. Meus diretores de vídeo e editores favoritos Vini Fontoura e Natália Koren, vocês compraram no início essa loucura e são os padrinhos desse espetáculo. A minha mãe amiga e crítica, por todos os “mas” e a minha família linda por todo o apoio. A minha amiga maravilhosa Mônica Dantas por seu olhar incentivador que me acompanha há bastante tempo, auxiliando a pesquisar os processos artísticos que me rodeiam e mobilizam.

Pois então… sim ganhamos, Coreografia do Ano e Bailarina por esse trabalho. Quem diria equipe Corpobolados, quebramos a cabeça e improvisamos muito até chegar onde chegamos e estamos de parabéns. Quanto ao reconhecimento como bailarina o que falar sobre tal fato!? Sim haviam outras três bailarinas lindas e talentosas indicadas. Inclusive a queridona Didi Pedone, que me conheceu quando eu estava começando e influenciou bastante meu percurso. Acredito que o reconhecimento pela minha atuação nesses dois trabalhos, Corpobolados e Produção Mezcla, reflete o caminho que venho há dez anos trilhando na dança profissionalmente. A origem de meu trabalho, a dança de salão, ao lado de pessoas que me ensinaram muito e o desdobramento de meu pensar, desse corpo atravessado por todas as pessoas em minha formação na universidade, na dança contemporânea e no NECITRA. São tantos corpos que constituem esse eu-bailarina que fica difícil mensurar todos. Sou grata a todos. Nesse sentido o trabalho continua e me sinto responsável em seguir trabalhando seriamente nos processos artísticos, pesquisando meu fazer, estando atenta ao tempo em que vivo. Estando aberta a novos encontros.

Fotos da maravilhosa Joseane Bertoncello.

Grata por viver essa experiência ao lado de vocês!

Falando um pouco mais dessa dança queer

No dia 25 de agosto fui convidada pela querida Yamini Benites para ministrar uma oficina de Dança de Salão Queer na III Semana da Diversidade Sexual e de Gênero da FABICO. Foi uma excelente experiência poder compartilhar essa proposta com todos que estavam presente.  Apesar de ainda sermos poucos praticantes, acredito que essa proposta só tende a crescer. E espero que o movimento queer na dança a dois se torne cada vez mais vivo. Então afim de espalhar essa onda por aí compartilho o vídeo da reportagem que foi feita pela Laura Berrutti sobre a oficina.

 

Eai ficou curioso olha que bonito o registro da Yamini da nossa oficina:

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Lembrando que a oficina acontece regularmente toda a terça das 19h às 20h no Azul Anil Espaço de Arte, na rua Dona Eugênia 836.